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terça-feira, 15 de março de 2011

Reconstruindo o Centro

Alguns prédios históricos e imponentes foram destruidos décadas atrás para permitir a ampliação (desorganizada) do Centro de Porto Alegre. Hoje temos edifícios entulhados, milhares de pessoas circulando, sujeira, pobreza e mais.

Já que os edifícios de outrora foram substituídos por novos, poderíamos fazer o caminho reverso: destruir os novos e reconstruir os antigos, com seu charme, sua elegância de volta. Já propus de fazermos isso na rua Siqueira Campos, já que a mesma abriga diversos prédios dessa categoria. Claro que, para que a obra seja completa, é necessário que o calçamento volte a ser o antigo também. Outra opção seria a Sete de Setembro, se ela recuperasse a sua estrutura original, cruzando a Praça da Alfândega como via para veículos automotores, não para pedestres.

Rua antiga

Calçamento antigo

Creio que as plantas encontram-se guardadas. Pois basta tirá-las dos arquivos e colocar mãos à obra! Algumas encontram-se no livro Rua da Praia - Um passeio no tempo, de Rafael Guimaraens, Marco Nedeff e Edgar Vasques.
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quarta-feira, 9 de março de 2011

(Novo) Museu Julio de Castilhos

Em tempos remotos existia um prédio em estilo renascença em Porto Alegre, inaugurado em 1900, na Avenida João Pessoa, que servia de sede para o colégio Julio de Castilhos, e que foi destruido num incêndio. Há quem diga que era uma das mais belas construções da cidade.

Antigo Ginásio Julio de Castilhos

O mesmo poderia ser reconstruido, fielmente à planta original, para servir de sede para um novo Museu Julio de Castilhos, maior e melhor. O existente hoje é excelente, mas muito bairrista. Poderia abranger mais do cenário nacional. Mais até do estadual. Poderia recolher doações de museus pelo país e ter um acervo incrivelmente grande e diverso.


Algumas ossadas de dinossauros brasileiros

Algumas coisas que poderiam ser expostas são os dinossauros brasileiros, por exemplo, ou ainda a coleção de meteoritos do Dr. Hardy Grunewald, em uma sala em sua homenagem, dentre tantas outras coisas existentes em exposição pelo Brasil.

Meteorito da coleção de Hardy Grunewald

Um possível local para a nova construção poderia ser a rua Siqueira Campos, já que nela ficam diversos prédio históricos (como as costas MARGS, por exemplo), visto que no local original da construção fica hoje o campus do Centro da UFRGS.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cinemateca Capitólio


O prédio foi inaugurado em 1928 e abrigava um antigo cine-teatro de Porto Alegre, hoje desativado. Foi tombado como patrimônio histórico em 2002 e dois anos depois sua fachada foi completamente reformada. Ele era moderno para sua época, e possuia apresentações de teatro assim como projeções de filmes, mas entrou em declínio juntamente com o cinema de calçada.

O projeto de restauração em si é interessante: transformar o cine-teatro em uma cinemateca, com um acervo históricos de filmes que teriam sessões nas salas de cinema do local, além de contar com biblioteca, café e espaço para exposições. Haveria uma parceria entre a FUNDACINE e a Secretaria Municipal de Cultura para administrar o prédio.

Prédio antes da reforma da fachada.

Porém, na prática, o que aconteceu foi diferente: a fachada foi restaurada, mas a cinemateca não abriu. O prédio permanece fechado e começou novamente a se degradar, a ficar sujo e pichado. Ou seja, se reabrir não terá o glamour que se esperava para ele. Claro, está notavelmente melhor do que antes da reforma. Mesmo assim, ficou como mais um dos tantos projetos culturais que não vingam em Porto Alegre.

É uma pena. Num novo Centro Histórico sua presença - funcionando, claro - seria importantíssima. Ainda mais que fica na avenida Borges de Medeiros, que hoje figura como a rua política-econômica mais importante da capital, mas poderia ter lugar também como rua cultural. E a cinemateca Capitólio daria um primeiro toque de erudição à via.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Uma nova Borges

A Avenida Borges de Medeiros, perto da avenida Ipiranga, possui belos prédios e concentra importantes centros políticos da cidade e do Estado. Porém, depois de cruzar a perimetral, passando por cima de um viaduto, muda completamente, adaptando-se ao cenário decadente do Centro de Porto Alegre.

Prédio na Borges perto da Ipiranga

Como já escrevi aqui antes, alguns prédios deveriam ter sua fachada melhorada. É complicado fazer obras com pessoas morando, mas para melhorar o visual da cidade é um preço justo a se pagar. A pobreza do Centro de Porto Alegre é assustadora. Mendigos, prédios caindo aos pedaços, ruas e calçadas manchadas e com aspecto sujo. Muita coisa precisa ser melhorada. Porém, uma coisa leva a outra. E o visual urbano e atrações atrairia novamente quem tem dinheiro para o Centro.

Como poderiam ser os prédios da Borges no Centro

Eu, particularmente, gosto da arquitetura dos prédios modernos europeus, com sacadas, para que se possa apreciar a vista da cidade. Hoje, no Centro, isso não é algo vantajoso. Mas futuramente, se muitas reformas forem feitas, possa valer a pena.

Governador Borges de Medeiros

Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961) foi presidente do Estado em dois momentos: de 1898 a 1908 e de 1913 a 1928, totalizando 25 anos no poder. Ele que dá nome a rua que é a mais importante do Centro da cidade. Já ressaltei aqui que gostaria de lotar o bairro com estátuas. Pois que se faça uma em homenagem a este governador, que enfrentou (e ganhou) a Revolução de 1923.

Estátuas das belas artes

E que se coloque também, por exemplo, algumas estátuas de belas artes por alí. Vamos fazer da Borges de Medeiros - pelo menos na altura do Centro - uma avenida importante pelo seu aspecto cultural (que deve ser criado, diga-se de passagem) e não só pelo político.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cores e novos ornamentos para o viaduto

Com a ideia de deixar o Centro mais bonito, o viaduto Otávio Rocha mereceria um toque de cor, mais charme, mais elegância. Ele parece um bloco grande de cimento. Um daqueles prédios que nunca foram terminados. Recentemente muitas obras históricas no Centro de Porto Alegre receberam as cores amarelo e bege-claro. Por que o viaduto não poderia seguir a mesma tendência? Assim, deixaria um pouco mais claro aquela parte do bairro que é bonita, mas onde parece que não se vê o Sol.

Museu de Artes do Rio Grande do Sul em novas cores

Dentro de alguns dos diversos arcos presentes na estrutura há lojas e bares. Em outros há portas fechadas. Nos demais há uma espessa parede sem detalhe nenhum, e nos dois centrais há duas estátuas iguais, uma de cada lado da rua. A pintura nesses arcos que não possuem nada poderia ser de vistas antigas da cidade, baseada em quadros pintados àquela época. Assim, funcionariam como janelas para o passado de Porto Alegre. Vários artistas poderiam ser chamados e cada um pinta uma parte do todo em um dos arcos.

Estátuas que quase não se vê no viaduto

Arcos sem nada: completamente pichados

Um exemplo do que poderia ser retratado é a aquarela de Herrmann Wendroth, Porto Alegre vista do lago Guaíba, de 1852. Abaixo seguem o quadro original e um esquema de como ficaria pintado nos arcos do viaduto.

Pintura original


Esquema da pintura nos arcos do viaduto

Outra coisa interessante de se fazer é na parte de cima do viaduto, onde passa a avenida Duque de Caxias. Lá há apenas uma calçada com um mirante, mas poderiam ter bancos ou quem sabe mesinhas com cadeiras - somente duas por mesa para não atrapalhar muito a circulação - para que se pudesse sentar para conversar e tomar um chimarrão.

Calçada da Duque: entrariam mesas e cadeiras (ou bancos) e sairíam os carros estacionados

O parapeito também poderia ganhar alguns detalhes: plantas, vasos, estátuas pequenas. As luminárias poderiam ser mais trabalhadas, mais elegantes. Assim daria um charme à obra que ela hoje de longe não possui. E então, além de referência para se localizar no Centro de Porto Alegre, o viaduto também seria um ponto turístico da cidade: e daria um ar de requinte para o bairro.

Parapeito com luminárias e sem muitos detalhes

Luminárias mais elegantes poderiam ter lugar na obra

Ornamentos para o viaduto: vasos e pequenas estátuas

Claro que ainda faltaria um último detalhe, para ser resolvido com o tempo: o que fazer com os lugares abandonados do viaduto. Tendo em vista que as reformas serviriam para atrair o público e o turismo ao local, talvez isso se resolvesse automaticamente. Talvez não. Mesmo assim só o fato de a obra ganhar destaque já seria de extrema utilidade para a cidade.
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Viaduto Otávio Rocha

Ele é mais conhecido como viaduto da Borges e é uma importante obra da engenharia civil de Porto Alegre. Serviu para resolver o problema da criação de uma nova avenida no centro da cidade por parte do intendente Otávio Rocha (que deu nome ao viaduto) e do então presidente do Estado Borges de Medeiros (que deu nome à via). Em 1926, a nova rua impunha um rebaixamento do terreno do Centro da cidade, deixando um vão na Avenida Duque de Caxias.

Vista da Avenida Borges de Medeiros

A criação dessa nova rua (Borges de Medeiros) foi proposta em 1914, com a intenção de cruzar o morro principal do Centro da cidade e unir as zonas da capital, e desde então já havia a ideia da construção de um viaduto para que o leito da Duque de Caxias não fosse interrompido. Como a avenida em si foi aberta doze anos depois, a obra só ficou pronta em 1932, cinco após seu projeto ter sido aprovado. Por ser toda de concreto, pensou-se em utilizá-la como abrigo aéreo caso houvesse algum bombardeio na cidade durante a segunda guerra.

Vista da Avenida Duque de Caxias

Por ser referência em Porto Alegre, foi tombado em 1988 e completamente revitalizado em 2000, juntamente com suas 36 lojas. Mesmo assim, não é nada mais do que um viaduto.
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sábado, 30 de outubro de 2010

Praça da Matriz - fotos antigas

Algumas fotos contando a história da Praça da Matriz (Marechal Deodoro).

Pintura de Athayde d'Avila no século XIX, quando a praça ainda era um largo.

Aquarela de Herrman Wendroth, de 1852, retratando a Igreja da Matriz e o Palácio do Governo.

A Igreja da Matriz e a Capela do Império do Espírito Santo que deram lugar à Catedral Metropolitana.

Vista lateral da Igreja da Matriz.

O Theatro São Pedro e a praça com os primeiros sinais de arborização.

Os prédio gêmeos (o da direita foi destruído em um incêndio em 1949).

O Palácio Piratini, sede do governo rio grandense, erguido no início do século XX.

A Praça na década de 1920, com o Auditório Araújo Viana onde hoje fica o Palácio Farroupilha.


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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Praça Marechal Deodoro


É um dos logradouros mais antigos e mais bonitos de Porto Alegre. Sua origem bate com a da própria capital, mas o local era um largo que só recebeu as primeiras calçadas na década de 1840. Quarenta anos depois ela começou a ser arborizada e em 1914 recebeu o monumento a Júlio de Castilhos, tomando a sua configuração atual. Já teve três nomes: Largo da Matriz desde 1773, Praça Dom Pedro II - nome dado em 1858 devido a uma visita do imperador a capital da província - e finalmente Praça Marechal Deodoro, em homenagem ao proclamador da república brasileira em 1889.

Monumento a Júlio de Castilhos

O local é belo, arborizado e repleto de adornos. Falta só um pouquinho de cuidado: podar algumas moitas, alguns galhos de árvore, consertar algumas rachaduras na estrutura do monumento principal da praça, pouca coisa. Assim como está parece que não damos muita atenção ao local. E isso que nos finais de semana é possível ver inúmeras famílias ao redor da praça, com as rodas de chimarrão típicas do povo gaúcho. Ou seja, é bem aproveitado. Só precisa de uns retoques aqui e ali periodicamente para não deixar que a praça fique com a aparência do Centro: suja e abandonada.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Theatro São Pedro

O teatro mais antigo da cidade foi inaugurado em 1858, reinou por mais de um século, fechou, foi restaurado, e hoje figura como um dos astros da cena cultural da cidade. Além de tudo, é um prédio histórico que fica ao redor da Praça da Matriz, onde se encontram outros tantos mais dessa mesma categoria. Seu interior é todo decorado com veludo e ouro.


Suas obras começaram em 1834 por iniciativa de doze cidadãos que desejavam construir um teatro para Porto Alegre. No ano seguinte, as mesmas foram interrompidas por causa da Revolução Farroupilha. Claro que depois de tanto tempo parada - o fim da guerra se deu em 1845 -, novos recursos tiveram que ser recolhidos para a continuidade da obra. O projeto do teatro, inclusive, foi refeito por Georg Karl Phillip von Normann (1818-1862), arquiteto alemão que realizou diversas obras pelo estado do Rio Grande do Sul. O planejamento incluia dois prédio gêmeos, lado a lado.

Prédio gêmeos na Praça da Matriz. À esquerda o Theatro São Pedro e à direita o Tribunal de Justiça, destruído por um incêndio em 1950.

A Associação do Teatro foi uma sociedade encarregada dos encargos do Teatro, desde a sua inauguração em 27 de junho de 1858, até que ser destuída em 2 de abril de 1862 por falta de verbas. Porto Alegre na época possuía pouco mais de 20 mil habitantes e a manutenção se tornara cara para a iniciativa. Apesar de ser palco de diversos artistas consagrados, em abril de 1973 o Theatro São Pedro foi fechado por falta de manutenção adequada.

Interior do Theatro São Pedro: platéia e palco.

Dois anos depois sua restauração começou a ser feita. Em 1982 foi criada a Fundação Theatro São Pedro, dirigida por Dona Eva Sopher (que continua no cargo até hoje), que seria encarregada de cuidar do edifício e das atividades culturais em sua nova era. A reinauguração do Theatro se deu em agosto de 1984, e no ano seguinte o mesmo passou a contar com uma orquestra de câmara. A expansão começou a ser pensada em 1995, e em 2002, num projeto de Marco Peres, Julio Ramos Collares e Dalton Bernardes, começou a ser construído um Multipalco, que quando for concluído, se tornará junto com o Theatro São Pedro um dos maiores complexos culturais da América Latina.
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mais estátuas para Porto Alegre

Já falei aqui que gostaria de ver um Centro repleto de estátuas e monumentos. E, além daquelas que hoje figuram em logradouros públicos por diversas regiões da cidade, que poderiam ser transferidas para o dito bairro, há mais algumas que poderiam enfeitar nossa bela capital.


01. Estátua da Samaritana

Ela foi instalada em 1925 na frente da antiga prefeitura, onde hoje fica um chafariz presenteado pela comunidade espanhola. É uma escultura de uma camponesa segurando um cântaro, e permaneceu ali por 10 anos, sendo então transferida para a Praça da Alfândega. Ali ela sobreviveu, notem o termo, por quase 7 décadas, até ser - prestem bem atenção - serrada ao meio por vândalos. Isso mesmo que você leu. Desde 2002 a estátua está em um depósito da prefeitura dividida em duas partes, fruto do trabalho de gloriosos cidadãos de Porto Alegre.

Estátua da Samaritana em dois momentos: na Praça da Alfândega; e no detalhe partida em dois num depósito da prefeitura

Essa, com certeza, deveria ser reintegrada ao cenário porto alegrense. De repente em outra praça, já que a da Alfândega passa por um processo de renovação na qual a Samaritana não foi inclusa - e nem poderia no estado em que está.


02. Belas Artes

As cidades européias estão enfeitadas com estátuas de deuses gregos. São as famosas esculturas das Belas Artes. O Instituto de Artes (IA) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) possui algumas delas. Poderiam ser feitas diversas delas em larga escala e espalhadas pelos logradouros do Centro. Isso, claro, se uma séria reforma para recuperação do bairro fosse feita. Poderiam, também, enfeitar as ruas - muitas cidades fazem isso. O fato é que elas só teriam coisas boas a acrescentar.

O deus Apolo e a Vênus de Milo


03. A obra não terminada de Caringi

Antônio Caringi foi um escultor gaúcho, nascido em Pelotas, de suma importância não só para o nosso Estado, como para todo o Brasil. Um de seus mais audaciosos projetos consistia em uma estátua de 45 metros para o Duque de Caxias, intitulada de 'O Pacificador', em homenagem ao general que acabou com diversos movimentos separatistas do nosso país e manteve a pátria unificada. Esse, que seria o maior monumento das Américas, nunca saiu da maquete de gesso que ainda resta.

Duque de Caxias e Antônio Caringi

Deveria ser colocada no Parque Farroupilha. A pedra fundamental foi lançada em 1945, mas o projeto não foi adiante devido à falta de verbas públicas. Hoje em dia, ela poderia ser concluída. Vão investir quantidades enormes de dinheiro para a infra-estrutura necessária para a Copa do Mundo. Ou seja, verba tem, falta vontade. Além do mais, o escultor pelotense também poderia ser homenageado. Na verdade, estamos devendo essa para ele.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Estátuas perdidas II

Qual é o primeiro monumento ou a primeira estátua de Porto Alegre? Levando em conta que a capital gaúcha passa dos duzentos anos pode ser que eles nem existam mais. Ou será que enfrentam o esquecimento e a depredação característicos dos marcos históricos da cidade? Felizmente eles ainda figuram em praças públicas. Infelizmente possuem uma longa história de negligência.

Vamos voltar para Porto Alegre em meados do século XIX. A Cia Hidráulica, no intuito de fornecer água potável aos habitantes gaúchos, instalou diversos chafarizes pela cidade. Porém, em 1866, um deles prestara homenagem ao Rio Guaíba. Composto por cinco estátuas, quatro que representavam seus afluentes, Caí, Gravataí, Jacuí e Sinos, e outra em cima do chafariz central que exaltava o próprio rio, o monumento foi instalado na Praça da Matriz projetado por José Obino.

Monumento na Praça da Matriz, com o Theatro São Pedro ao fundo.

Em 1910 foi destruído para a construção do monumento a Julio de Castilhos. As cinco estátuas ficaram em um depósito até 1923, quando foram vendidas separadamente a proprietários privados. Uma campanha do Correio do Povo mobilizou a prefeitura para recomprar as mesmas, fato que só ocorreu em 1935, quando as quatro estátuas dos afluentes foram instaladas na praça Dom Sebastião. A estátua para o Guaíba, entretanto, continua em mãos privadas até hoje.












Há duas estátuas de mulheres - como a da esquerda - denominadas Cahy e Sinos (basta ler a inscrição no pedestal) e duas de homens - como a da direita - denominadas Gravatahy e Jacuhy.

Mesmo assim, a triste histórias dessas estátuas não termina por aí. Em 1983 elas foram retiradas da praça depois de passarem por diversas depreciações. Foram alvo depolêmica três anos depois, quando o governo foi acusado de tê-las esquecido, e só retornaram ao logradouro em 1996. Um espelho da água foi criado, mas hoje em dia o que se tem por lá é só concreto.














Estado atual do monumento na Praça Dom Sebastião, ao lado do Colégio Rosário.

Bom, agora resta a primeira estátua para uma pessoa de Porto Alegre. Como já explicado anteriormente, a Revolução Farroupilha foi e ainda é um marco da nossa história que mexe com o povo gaúcho. Sabemos que os revoltosos tomaram Porto Alegre em 20 de setembro de 1835. A capital gaúcha, no entanto, sempre foi leal ao Império do Brasil. Basta ler a inscrição no seu brasão: leal e valorosa cidade de Porto Alegre. O tenente-general Manuel Marques de Sousa III foi vital na retomada da cidade em 15 de junho de 1836. Ficou conhecido como Conde de Porto Alegre. A capital gaúcha, no entanto, mereceu as nobres palavras de seu brasão por resistir a um dos maiores cercos a uma cidade brasileira da história, que durou 1.283 dias, terminando somente em dezembro de 1840.

O Conde de Porto Alegre

Em dívida com o bravo militar, a cidade se viu obrigada a homenageá-lo. Uma estátua gigantesca foi encomendada, com um pedestal de 8 metros repleto de detalhes e alegorias. Porém, o que se teve foi uma pequena escultura inaugurada na Praça da Matriz em 1885, com 4 anos de atraso do previsto no seu projeto, numa solenidade que contou com a presença da Princesa Isabel. A estátua foi movida em 1912 para a atual Praça do Conde, onde está até hoje.

Estátua na Praça do Conde

Novamente Porto Alegre nos brinda com seu descaso com a sua própria história. A espada do Conde está quebrada, assim como braços e narizes do monumento ao Guaíba, cuja peça principal não está nem em mãos públicas. Além do mais a estátua e o monumento mais antigos da cidade enfrentam melancolicamente o esquecimento e o vandalismo.

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Estátuas perdidas I

Se analisarmos a história do nosso estado, veremos que há um consenso de que a parte mais importante e lembrada dela é a Revolução Farroupilha. Dos que lutaram nela, o único que é conhecido internacionalmente é Giuseppe Garibaldi. Ele tem estátuas em sua homenagem no mundo inteiro, inclusive aqui. Aliás, temos também um belíssimo monumento para Bento Gonçalves. Só que, ao meu ver, essas esculturas não possuem destaque algum. Sim, os herois da nossa terra passam despercibos no nosso dia-a-dia. E pior: estão parcialmente destruídos por vândalos e pelo tempo.

Monumento para Bento Gonçalves, corroído e pichado, na Praça Piratini

A Revolução Farroupilha foi um movimento elitista do Rio Grande do Sul ocorrido no século XIX, liderado pelo general Bento Gonçalves da Silva. O governo monárquico brasileiro impôs altas taxas ao charque gaúcho, principal economia do estado na época, e incentivou a importação do produto proveniente da região do Rio da Prata. Além disso, o sal, essencial para a produção do charque, teve sua taxa de importação aumentada. Os ricos estancieiros, revoltados, tomaram Porto Alegre, a capital gaúcha, em 20 de setembro de 1835, exigindo um novo presidente para a província que atendesse aos interesses deles. Como a resposta do imperador brasileiro foi transferir a capital para a cidade de Rio Grande e iniciar uma ofensiva aos revoltosos, o povo gaúcho não viu outra alternativa a não ser ir à luta.

Com o apelo popular crescendo conforme a guerra se desencadeava, o general Antônio de Sousa Netto proclamou a República Piratini no dia 11 de setembro de 1836, dois dias após impor uma derrota ao coronel João da Silva Tavares no Arroio Seival que parecia impossível de acontecer. O movimento passava a ter caráter separatista e a se preocupar com outras questões também, como a abolição da escravidão. Inspirado por movimentos desse tipo ocorridos anteriormente, como as revoluções americana e francesa, desembarca na província no ano seguinte o italiano Giuseppe Garibaldi. Durante a Guerra dos Farrapos, nome dado ao conflito entre o agora exército rio grandense e os imperiais brasileiros, ele conhece Anita, que junto com ele, ficou conhecida mundialmente por lutar na unificação italiana, a partir de 1848.

A guerra só teve fim em 28 de fevereiro de 1845, quando os farroupilhas foram derrotados em Poncho Verde e assinaram o tratado de paz com o general Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. Apenas no século seguinte é que o histórico conflito foi utilizado para definir o caráter do gaúcho, e hoje em dia ele é conhecido por praticamente toda a população do Estado do Rio Grande do Sul.

Em 1915, Porto Alegre foi presenteada pela comunidade italiana, já que o estado é uma forte colônia do país, com uma estátua em mármore de carrara em homenagem a Giuseppe e Anita Garibaldi, feita pelo pintor e escultor Filadelfo Simi (1849-1923). Ela está lá até hoje, esquecida, deteriorando-se com o tempo. O local também não é propício: em meio a um arvoredo e de frente para um local não muito movimentado da cidade.

Homenagem a Giuseppe e Anita, super mal tratada

Já Antonio Caringi (1905-1981), que fez inúmeros monumentos no estado, inclusive o Laçador, prestou sua homenagem ao líder farroupilha Bento Gonçalves. A estátua de cobre foi inaugurada em Porto Alegre em 1936, na Praça Redenção, e ocupa seu local atual, a Praça Piratini, desde 1941. É uma escultura também negligenciada, corroída e pichada, que não recebe destaque algum.

Caringi confeccionando a estátua de Bento

Precisamos, urgentemente, restaurar esses monumentos e dar a eles a atenção e o destaque merecidos. Temos orgulho de nossa história, mas esquecemos dos nossos herois, daqueles responsáveis por construir o estado maravilhoso em que vivemos hoje. E olha que Porto Alegre já foi eleita Capital Cultural do Mercosul. Vamos fazer valer esse título.

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terça-feira, 27 de julho de 2010

Por um Centro requintado

Renovação de prédios antigos, edifícios modernos, por tudo isso passa a revitalização do Centro. Porém, a parte histórica da cidade não fica concentrada somente em um bairro. Engloba pelo menos cinco. O ideal seriam reformas em todos eles, pegando um pouco de cada e fazendo um grande complexo turístico.

Claro que o principal seria o Centro. Ele passaria a se chamar Cidade Velha, quem sabe, já que o centro comercial e administrativo da cidade passaria para o bairro Navegantes. Mas há muito o que se aproveitar em outros distritos da cidade: Independência, Bom Fim, Farroupilha e Cidade Baixa. Todos juntos formariam o Centro Histórico de Porto Alegre, e seriam um atrativo turístico, um de verdade, onde se possa ter atividades de lazer e de cultura.



Só que as reformas não poderiam englobar somente as edificações. As ruas deveriam ser retrô também, feitas de pedra. As calçadas poderiam ser restauradas. Mas não só arrumando o que está estragado: deixá-las uniformes também, padronizadas, e com estilo da época de colônia. A iluminação poderia ser feita basicamente por luminárias antigas, de ferro. As fiações poderiam ser enterradas em baixo das calçadas, já que se mexeria nas mesmas. E em alguns prédios modernos, construídos na metade do século para cá, poderiam ser feitas reformas para deixá-los com cara de século XIX. Assim, teríamos diversas ruas históricas, cada uma preservando a identidade que tem hoje, porém com bem mais atrações. Estátuas poderiam enfeitar a cidade. Quem sabe colocadas nas praças do Centro, que hoje estão caindo aos pedaços. Todas elas poderiam ser renovadas e ganhar monumentos para enfeitá-las.

Uma polícia turística precisaria ser criada. Ela teria jurisdição no Centro Histórico, não somente cuidando dos cidadãos e visitantes, mas também dos monumentos da cidade. Quem nunca passou por um prédio histórico em Porto Alegre e o viu pichado? Nada contra a arte de rua, mas ela poderia ter seu lugar definido no Centro, não em monumentos, claro.

Alguns lugares seriam modernizados. Um Centro só com casas antigas daria muito trabalho. Teríamos que tirar todo mundo de lá, reformar tudo, e depois mandar todo mundo de volta. Um trabalhão que é praticamente impossível de ser feito. Mas aos poucos Porto Alegre poderia ganhar um ar retrô, como se não tivesse esquecido do seu passado, e atrair visitantes e principalmente seus cidadãos para seu Centro Histórico.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Projetos de restauração

Vários prédios históricos estão sendo restaurados no Centro da cidade através da iniciativa e realização do Projeto Monumenta, um programa do Ministério da Cultura. A Biblioteca Pública é um exemplo. Locais públicos também são abrangidos: quem passa pela Praça na Alfândega percebe que a mesma está fechada para obras. E ficará assim até setembro de 2011 (previsão). E não é só isso. Podemos passar por dezenas de ruas de Porto Alegre atualmente e perceber como monumentos antigos foram renovados. Isso é, com certeza, um passo importante para uma cidade que busca por turistas.

Diversas casinhas com arquitetura antiga foram renovadas, ganharam cores e vida. No bairro Cidade Baixa, tradicional pela vida noturna agitada, a rua João Alfredo teve suas casas em estilo coloniais ocupadas por pubs e bares que se empenharam em restaurar as fachadas e interiores. Isso sim é o que se deve fazer para se usufruir de construções assim: aproveitá-las para alguma atividade de lazer. E como Porto Alegre é conhecida por sua noite, nada melhor do que fazer festas em casas históricas.

E não para por aí. Não é só o Monumenta que atua na capital gaúcha. E como a ideia de restaurar tende a continuar, só podemos esperar que cada vez mais construções históricas ressurjam. Ah, para quem não sabe monumenta significa monumentos em latim. Quem quiser pode dar uma olhada no site: http://www.monumenta.gov.br/site/.

Ou seja, percebe-se que há uma movimentação na cidade para recuperar sua história. Diversas cidades turísticas ao redor do mundo fizeram isso. Só que aproveitaram melhor seus monumentos. Estamos engatinhando nesse quesito, mas pelo menos já apresentamos uma melhora considerável.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Prédios não históricos

A renovação do Centro passa também pelos prédios construídos no final do século passado. Situando-se melhor, mais ou menos de 1970 em diante. Muitos deles não possuem arquitetura nenhuma e vários estão caindo aos pedaços. Assim, as fachadas são feias e sem graça, e estão rachadas ou falta pedaços. Alguns edifícios - e não são poucos - parece que nem foram terminados: são blocos de cimento já mofado e sujo com buracos para as janelas e portas. Aí, não tem reforma com prédio histórico que resolva.




Prédios sem arquitetura no Centro de Porto Alegre

Por isso, proponho uma reforma radical: uma renovação dos prédios não históricos também, para embelezar nosso Centro de vez. Para dar a entender o nível de radicalismo, pode-se notar que alguns edifícios foram construídos em meio a locais históricos. Sim, estão intrometidos, poluindo a paisagem. Por sorte, são comerciais. Com a transferência desses para outras edificações, esses prédios poderiam ser implodidos. Isso mesmo, derrubados! Claro, nem todos. Alguns se misturaram bem à paisagem.

Alguns prédios são legais, bonitos no Centro. Uma coisa que parece que faz bastante a diferença são sacadas. Portanto, vamos encher os edifícios delas! Em Buenos Aires, por exemplo, nos locais históricos praticamente só há prédios com sacadas. Na Europa também.

A fachada do edifício da frente está ruindo e o de trás parece que nem foi concluído

Fazer isso nos prédios que estão inacabados (aqueles que são só cimento mofado) creio que seria mais fácil. Eles estão pedindo por isso. O problema será renovar aqueles que parecem bons. Óbvio que nem todos passariam por essa reforma. Até o radicalismo tem limite. Mas mesmo assim, não podemos nos atentar somente aos prédios históricos com esses blocos de concreto e ferro enfeiando o resto. Lembrem-se que eles são a maioria das edificações presentes no Centro.

Com o passar do tempo irei abordando aqui os edifícios que poderiam passar por uma reforma, e aqueles mínimos que estão intrometidos em locais históricos e que até deveriam ser implodidos. Seguem algumas fotos com exemplos de fachadas interessantes de se fazer nos edifícios não históricos do Centro.





À esquerda prédio existente no Centro de Porto Alegre; abaixo edifícios no bairro da Recoleta em Buenos Aires.







Fachadas simples ficam embelezadas com sacadas

Claro que a colocação de sacadas é uma opção que a meu ver embeleza os edifícios de uma cidade. Mas isso fica a critério de cada um. Imagine você como poderiam ser mais belos os prédios não históricos do Centro e como o bairro ficaria melhor se eles não fossem esses blocos de concreto ou estivessem intrometidos nos locais históricos da nossa cidade.

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